quinta-feira, novembro 04, 2004

Invocação de uma Madrugada

Andas desligada de mim e de tudo. Há dois dias que andas desaparecida, tens o telefone desligado, quero falar contigo e não posso. Como é que sabemos que chegou o fim? Quando os beijos nos chegam quase sem sabor? Há dois dias enviei-te uma sms. Nunca foi entregue. Tentei ontem de novo. O telemóvel continua desligado. Na mensagem dizia-te só: “então, miúda?” e apenas queria uma resposta, um sinal de vida, um sorriso sob forma de abreviatura de texto no ecrã verde do telemóvel. Nada. Continuo a chamar-te miúda, como da primeira vez que te vi, de saia curta e coxas quase a ver-se, tinhas então vinte e sete anos, mas parecias ter só vinte e três. Tal como hoje. Eu tenho os meus quarenta e quatro anos que o branco dos cabelos não deixa disfarçar, por mim a idade passa, mas tu continuas terrível nos teus vinte e três anos de miúda irresistível. Às vezes improviso uns pensamentos para tentar decifrar o que andamos neste mundo a fazer, se é correcto alternar o amor entre o desejo de um corpo perfeito escondido atrás de um sorriso fugitivo e uma família que cresceu com os anos, pessoas que partilham refeições e sofrimentos. Pergunto se é errado ir a tua casa provar do teu chá e dos teus lábios. Se fazemos mal quando, longe do mundo, te sentas no meu colo, trocamos carícias e beijos. Se mereço tanta coisa doce da vida. Dir-me-ás que não. Não te mereço sequer. Dou-te às vezes dias perdidos de fins de semana ou algumas horas ao fim de dia. E pouco mais, à excepção daquela madrugada imensa, um verão enganado em Janeiro e a praia eterna connosco. No resto do tempo ficas sozinha nesse apartamento bonito, a aguardar que apareça quem te leve flores com mais regularidade, que te beije todos os dias, que se deixe ficar durante a noite toda. Eu não te posso dar tanto, mas sou feliz quando saltas para o meu colo enquanto toca um disco antigo de um pianista preto drogado, the amazing Bud Powell, maravilhoso a tocar “it could happen to you”, cada nota a é uma gota de sentimento a escorrer da testa, como o suor que invade o meu corpo quando me chamas e trazes contigo esse sorriso de menina marota e troco o copo por ti, o piano continua sozinho ao fundo e nós somos um pouco mais que humanos, o inverno deixa de ser frio, somos anjos húmidos na noite quente. Mas agora talvez seja tarde para mim, tu és bela e tens a vida toda para ti. Talvez já não me respondas mais. Vou enviar pelo correio o disco de que gostas tanto.
NC

3 Comments:

At 2:23 da tarde, Blogger Ciliegia said...

É incrível como oportunidades se perdem pela simples e estúpida omissão. Ou, talvez não: desprezo. É melhor não pensar assim... ou mesmo pensar!!
Obrigada.

*

 
At 3:01 da tarde, Anonymous Anónimo said...

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At 6:50 da manhã, Anonymous Anónimo said...

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