Profundo
Deitei-me sobre uma superfície plana. Teria pouco mais de dois metros de comprimento e um de lado. Era uma superfície fina, toda forjada em aço e até houve uma vez que abrigou o meu corpo retraçado. Deitei-me sobre a superfície plana e vi dois cirurgiões, uma enfermeira, a suturarem-me o rosto com uma irregularidade tão em desacordo com o rosto do Avô que os meus netos reconheciam. As máquinas há muito se tinham desligado, indicando a paragem da pulsação, mas ainda assim senti que pedalava com força na minha velha bicicleta, quando de súbito um carro me atingiu. O chapéu voou para a valeta que ladeava a estrada e a bicicleta transformou-se num oito deformado. Houve um bombeiro que me assistiu, um médico que me operou. Mas só me senti realmente bem quando os meus se aproximaram de mim e reconheceram o corpo enrugado que em tempos os abraçara. Não me lembro de estar morto, mas sei que foi quando eles se aproximaram que eu morri.
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